A intensa precipitação (chuva torrencial) causou o transbordamento do Rio Acre e de diversos igarapés e córregos, agravando uma situação já considerada crítica pela Defesa Civil Municipal. Em apenas 17 horas, choveu 171 milímetros, volume equivalente a 19 dias de dezembro, acelerando alagamentos, enxurradas e o isolamento de comunidades urbanas e rurais. As autoridades classificam o quadro como preocupante, com risco de agravamento nas próximas horas.
Até o fechamento desta reportagem, 35 famílias, totalizando 115 pessoas, estavam acolhidas em quatro abrigos nos bairros Mocinha Magalhães, Tropical, Conquista e Geraldo Fleming. Outras 29 famílias, somando 122 pessoas, foram removidas para casas de parentes e amigos. Equipes montam até 50 novos espaços de acolhimento no Parque de Exposições, com conclusão prevista entre terça e quarta-feira.
O impacto é amplo: 25 bairros afetados (20 por enxurradas e 10 pelo Rio Acre), mais de duas mil famílias (cerca de oito mil pessoas) atingidas e duas comunidades rurais isoladas, acessíveis apenas por embarcações. A Defesa Civil alerta para o esgotamento dos abrigos atuais e para a necessidade de pelo menos oito novos espaços emergenciais.
O nível do Rio Acre não deve se estabilizar em breve. “A previsão é de subida até 16 metros, o que desalojaria 500 famílias e desabrigaria 250 (mais de 2,5 mil pessoas no total), devido ao elevado volume de água na bacia hidrográfica”, ponderou o chefe da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão. Diante do possível agravamento, Falcão reforça que as equipes atuam dia e noite, mas apela para que pedidos de ajuda sejam feitos exclusivamente pelo 193.
“Ligações diretas para celulares particulares atrasam o socorro. Com chuvas intensas previstas até o fim de 2025, a população deve manter atenção máxima, priorizando organização e colaboração coletiva em meio ao caos”, disse o tenente-coronel.