O deputado estadual Adailton Cruz (PSB) fez duras críticas à situação da saúde pública no Acre durante a sessão desta quarta-feira (4), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Em um discurso marcado por denúncias e cobranças diretas ao governo do Estado, o parlamentar apontou o colapso do atendimento hospitalar em Feijó, questionou um processo de privatização do Hospital Regional do Alto Acre e alertou para condições consideradas “desumanas” de trabalho em unidades de saúde da capital.
Ao comentar o debate sobre o município de Feijó, Adailton afirmou conhecer de perto a realidade local e disse ter orgulho de sua ligação com a cidade. No entanto, classificou como grave a situação da saúde de média e alta complexidade no município. Segundo o deputado, o hospital local não possui centro cirúrgico em funcionamento, deixando a população à própria sorte. “A saúde dos feijoenses está entregue a Deus”, afirmou.
O parlamentar lembrou que, em audiência pública realizada no ano passado, foi prometida a entrega do novo hospital de Feijó em outubro, o que, até agora, não se concretizou. Ele ironizou o descumprimento do prazo e afirmou que a falta de estrutura tem impactado diretamente a vida da população, que depende de deslocamentos longos e arriscados para acessar atendimento especializado.
Outro ponto central do discurso foi a crítica a um processo de chamamento público que prevê a transferência da gestão do Hospital Regional do Alto Acre, em Brasileia, para a iniciativa privada. De acordo com Adailton Cruz, o modelo prevê a entrega da unidade “de porteira fechada”, incluindo toda a estrutura física, os trabalhadores e um aporte de cerca de R$ 80 milhões, retirando do Estado a responsabilidade direta pela gestão.
O deputado afirmou que esse tipo de terceirização tem histórico negativo no país, resultando em precarização dos serviços, uso político das unidades e má gestão dos recursos públicos. Ele informou que, após denúncia apresentada, o Conselho Estadual de Saúde barrou temporariamente o processo e que, nesta quinta-feira, parlamentares, trabalhadores e a população estarão em Brasileia para reforçar a mobilização contra a medida.
Segundo Adailton, o foco deveria ser o fortalecimento da rede pública, com a contratação de especialidades essenciais como anestesiologia, pediatria, cardiologia, ortopedia e ginecologia, que atualmente faltam na unidade e comprometem o atendimento à população do Alto Acre.
O parlamentar também demonstrou preocupação com os servidores públicos da saúde ao comentar a ausência de margem no último relatório fiscal para o envio do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) à Assembleia, reivindicação aguardada há mais de 25 anos pela categoria. Ele informou que o tema está sendo analisado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e que um posicionamento deve ser apresentado nos próximos dias. Caso sejam identificadas inconsistências, afirmou que irá cobrar providências.
Por fim, Adailton Cruz denunciou as condições de funcionamento da Central de Material Esterilizado (CME), que atualmente opera de forma provisória no INTO, atendendo o complexo da Maternidade e do Hospital da Criança. De acordo com ele, o local não possui climatização adequada, fluxo sanitário, banheiros ou espaço de repouso, expondo trabalhadores e pacientes a riscos. “São condições desumanas, que comprometem não só os profissionais, mas a segurança dos procedimentos cirúrgicos”, afirmou.
O deputado disse ter visitado o local acompanhado por representantes do Ministério Público e do Tribunal de Contas e cobrou providências imediatas da Secretaria de Saúde, alertando que, caso não haja solução, a unidade poderá ser interditada.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale
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Fonte: Conteúdo republicado de Aleac


