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Buracos que matam: tragédia na BR-364 expõe abandono da única via terrestre do Acre

A BR-364, única ligação terrestre entre Rio Branco e os municípios dos vales, Purus, Taraucá/Envira e o Juruá interior, voltou a ser palco de uma tragédia anunciada. No final da manhã deste domingo (14), um grave acidente no km 72 da rodovia, no trecho entre a capital e Sena Madureira, resultou na morte de um homem e deixou outras três pessoas feridas, evidenciando mais uma vez as condições precárias e perigosas da via federal.

Segundo informações apuradas no local, João Paulo Marcelino Ximenes, de 39 anos, e sua esposa, Cheila Maria Viana de Sousa, de 52 anos, seguiam de Sena Madureira para Rio Branco quando, ao tentar desviar de um buraco na pista, o condutor perdeu o controle do Fiat Palio, de cor prata. O veículo invadiu a contramão e colidiu frontalmente com um Chevrolet Tracker vermelho, que trafegava no sentido oposto.

No outro carro estavam a médica Luciana Regis e o filho dela, de apenas 11 anos, que seguiam para Sena Madureira, onde a profissional cumpriria plantão médico nesta segunda-feira.

O impacto da colisão foi violento e devastador. O Fiat Palio capotou diversas vezes e ficou completamente destruído, cenário que revela a força da batida e a vulnerabilidade de quem precisa enfrentar diariamente a BR-364, uma rodovia marcada por buracos, desníveis e falta de manutenção adequada.

João Paulo não resistiu aos graves ferimentos e morreu ainda no local do acidente. Sua esposa, Cheila, foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada em estado grave ao Pronto-Socorro de Rio Branco.

De acordo com o médico da Unidade de Suporte Avançado, Dr. Luiz Alberto, a vítima apresentava suspeita de fraturas nas costelas e no braço direito, além de trauma torácico. Apesar da gravidade, o quadro clínico foi considerado estável após os primeiros atendimentos.

“Realizamos todos os procedimentos necessários para estabilizar a paciente e a entregamos ao setor de traumatologia para continuidade do atendimento”, explicou o médico.

A médica Luciana Regis e seu filho foram socorridos por um popular que passava pelo local e levados ao Pronto-Socorro da capital. Felizmente, ambos não sofreram ferimentos graves.

O Instituto Médico Legal (IML), por meio do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), realizou a perícia no local e a remoção do corpo da vítima fatal.

O caso segue sob investigação das autoridades competentes, mas o cenário do acidente reforça um alerta antigo e ignorado: trafegar pela BR-364 é enfrentar diariamente um risco real de morte. Enquanto a rodovia segue em condições críticas, famílias continuam pagando o preço com o bem mais precioso: vidas humanas.